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Carlos Éden Meira
Jornalista e cartunista
Carlos Éden é jornalista e cartunista.
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Desde os tempos mais remotos, a História demonstra que a corrupção tem levado as mais organizadas civilizações ao caos institucional, gerando retrocesso político. A corrupção destrói vidas, quando verbas para a segurança e a saúde públicas são desviadas para os bolsos de políticos desonestos, deixando a população pobre e doente, desamparada. As pessoas de poucos recursos econômicos estão morrendo à míngua neste país, onde a saúde pública ainda é precária. Quando homens públicos embriagados pelas facilidades e privilégios que o poder lhes proporciona, deixam de trabalhar pelo bem do povo e pelo progresso da Nação para se dedicar ao enriquecimento...
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A tal “campanha de desarmamento” no Brasil foi feita para quê mesmo? Vemos na televisão tratores destruindo armas velhas enferrujadas, na sua grande maioria antigas pistolas de dois canos conhecidas como “dois tiros e uma carreira”, ou espingardas de caça vagabundas apelidadas de “puxa pra traz” ou “de socar”. De vez em quando aparece um revólver calibre 22. Enquanto isso, armas pesadas de tecnologia avançada de última geração que deveriam ser do uso exclusivo das forças armadas, são adquiridas por bandidos perigosos através do tráfico de armas, conforme as constantes denúncias da imprensa. Já um cidadão de bem, está...
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Até os anos 50 e 60, os pequenos aeroportos de cidades do interior eram chamados de “campos de aviação”. Era uma época, em que os aviões comerciais de passageiros, ainda funcionavam com hélices impulsionadas por motores. Havia os pequenos aviões de uma hélice (teco-teco,) os bimotores de duas hélices e os quadrimotores, obviamente de quatro hélices. Em nosso “campo de aviação Vicente Grillo”, não havia pista de pouso asfaltada, o ponto de apoio para embarque e desembarque de passageiros era uma velha casa de “adobão”, no entanto, faziam escala ali, grandes aeronaves das principais empresas aéreas do Brasil na época:...
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Essas notícias na imprensa dando conta das denúncias do Conselho Nacional de Justiça, sobre vantagens financeiras absurdas e ilegais, desfrutadas por juízes e desembargadores, além dos já costumeiros desmandos dos Poderes Executivos e Legislativos, nas constantes falcatruas entre ministros, secretários, vereadores, deputados e senadores e seus assessores, passam a sensação de que vivemos numa sociedade caótica, em alto grau de putrefação. Será que terão que mudar o nome da famosa Praça em Brasília, para “PRAÇA DOS TRÊS PODRES PODERES”? Se o Poder Judiciário, cuja prerrogativa é julgar, fazer justiça e aplicar os rigores das leis, passar também, a perder a...
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Muitas manifestações têm sido realizadas ultimamente em todo o País, para chamar a atenção das autoridades no sentido de que sejam tomadas as devidas providências para fazer reformas políticas, conter o avanço da corrupção, do banditismo, da escalada da violência, tráfico e consumo de drogas ilícitas, bem como, atender a reivindicações diversas. Ora, temos certeza de que o clamor da população tem surtido algum efeito, dentro do possível.
Ocorre que em certas cidades do Nordeste brasileiro, por exemplo, onde um resto de “coronelismo” ainda persiste, as manifestações (quando raramente ocorrem), são “de fachada”, quase sempre manipuladas por grupos...
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Ao rejeitar a proposta da divisão do Pará, o povo daquele Estado demonstrou maturidade. Demonstrou seu repúdio aos interesses de grupos políticos que esperavam adquirir mais poder com a criação de novos governos estaduais, novas assembléias legislativas, novas secretarias, com todas as despesas e mordomias relacionadas a tais entidades. O povo do Pará livrou o Governo Federal de assumir as despesas que resultariam da criação de mais dois novos estados na União, despesas estas que acabariam saindo do bolso de todos os contribuintes, ou seja: com essa rejeição, o povo do Pará livrou todo o povo brasileiro de pagar mais...
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“Não concordo com nada do que dizes, mas, lutarei até a morte pelo teu direito de dizê-lo”. Esta frase, cuja autoria é atribuída ao filósofo francês Voltaire, demonstra o enorme respeito que o grande pensador tinha pela liberdade de expressão. Numa sociedade politicamente evoluída, o direito de expressarmos nossas idéias, de protestar em alto e bom som contra aquilo que vai de encontro aos nossos princípios, e de sermos contestados por quem se opõe aos nossos ideais, é fundamental para o aperfeiçoamento de uma sociedade democrática.
Entretanto, quando se trata de política e religião, a tendência ao fanatismo de alguns militantes...
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva há alguns anos, quando disputava a Presidência da Republica, disse que no Congresso Nacional havia “mais de trezentos picaretas”, assunto largamente comentado pela imprensa, na época. Hoje, há quem diga que esse número é bem maior, havendo raras exceções. Raríssimas, mesmo. Ora, assim sendo, parece que esta picaretagem é o principal requisito aceito pelo eleitorado, para escolher seus representantes políticos, já que continua a reeleger os “picaretas históricos”. Além disso, novos “picaretas” vêm assumindo cada vez mais cargos em todas as esferas do poder político nacional.
E o mau exemplo se estende e se...
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Vimos certa vez na TV, uma cena inesquecível. Um cidadão dentro de um posto médico, desesperado com a filha desmaiada nos braços, procurando atendimento e sendo maltratado pela indiferença dos funcionários. Enlouquecido pelo desespero, chutou portas, quebrou vidraças e objetos, aos berros e soluços de dor pela filhinha doente, já talvez entrando em coma, e, aquele pobre pai, não tinha para quem apelar. Cremos que qualquer cidadão de bem, ferido na sua dignidade e frustrado nos seus direitos, agiria da mesma forma. Se aquele pai estava ali, é porque ganhava mal, não tinha um plano de saúde para si nem...
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Acreditou-se ao longo dos anos neste país, que o cidadão brasileiro para demonstrar inteligência, sagacidade, perspicácia e prestígio, ao buscar aquilo que é de seu interesse dentro da sociedade, teria que antes de tudo, saber mexer com os pauzinhos, ou seja: fazer ilegalmente intercâmbio com pessoas influentes em determinado setor, para realizar seus objetivos recíprocos. Nada de trabalhar honestamente, cumprir regras, regulamentos ou leis, institucionalizando-se assim, a chamada malandragem.
Foi dentro desse contexto, que a figura do malandro carioca, com suas gírias e trejeitos, popularizados pelos sambistas ou pelos meios de comunicação, (cinema e rádio, na época), passaram a ser...
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