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Jequié/BA, 19 de Maio de 2012

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PARÁ: A VITÓRIA DA RAZÃO

O povo do Pará livrou o Governo Federal de assumir as despesas que resultariam da criação de mais dois novos estados na União.
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por Carlos Éden Meira

Ao rejeitar a proposta da divisão do Pará, o povo daquele Estado demonstrou maturidade. Demonstrou seu repúdio aos interesses de grupos políticos que esperavam adquirir mais poder com a criação de novos governos estaduais, novas assembléias legislativas, novas secretarias, com todas as despesas e mordomias relacionadas a tais entidades. O povo do Pará livrou o Governo Federal de assumir as despesas que resultariam da criação de mais dois novos estados na União, despesas estas que acabariam saindo do bolso de todos os contribuintes, ou seja: com essa rejeição, o povo do Pará livrou todo o povo brasileiro de pagar mais impostos que seriam usados para sustentar mais parasitas.

Com essa atitude, os paraenses estão conscientes de que o que interessa a alguns dos que apoiavam a tal proposta, não é o progresso da região nem a melhoria das condições sócio-econômicas de seus habitantes, para os quais estão “se lixando”, e sim, conseguir ampliar e manter os privilégios a que se acostumaram ao longo de suas lamentáveis trajetórias no meio político. A eles interessava o “toma lá dá cá”, que resultaria das negociatas partidárias para apoiar nomes de futuros governantes, privilegiando parentes, amigos íntimos e correligionários políticos, na hora da distribuição dos novos cargos a ser criados, como já fazem há anos, neste sistema político apodrecido pela constante corrupção.

Que o bom senso do povo paraense sirva de exemplo a todos nós, cidadãos brasileiros, alertando para que fiquemos atentos a estas armadilhas disfarçadas de projetos desenvolvimentistas, que na realidade só desenvolvem mesmo é a conta bancária dos políticos interessados. Neste País é preciso que sejam realizados mais plebiscitos ou referendos, no momento de criar leis polêmicas, evitando assim, que as mesmas possam vir a beneficiar alguns, em prejuízo da maioria. Uma democracia só funciona como deve, quando a vontade da maioria é obedecida, entretanto, é preciso maturidade política, responsabilidade e consciência cívica para escolher o melhor para todos, evitando, inclusive, reeleger os corruptos de sempre. Vale aqui citar o grande escritor português, Eça de Queiroz, quando disse: “Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão”.

*Por Carlos Éden Meira – jornalista e cartunista


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