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Jequié/BA, 19 de Maio de 2012

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IPAD NÃO É LIVRO!

As novas tecnologias invadem todos os ramos do saber, criam necessidades e tentam até ocupam o lugar do livro impresso, com a criação plataformas de leitura digital.
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por Lucas Ribeiro Novaes

Não cultuo essas novas formas de “livro” que os “agentes da globabarização” têm divulgado em suas excêntricas feiras tecnológicas. Também não sou contra aos “sofisticados” mecanismos de leitura que vem sendo desenvolvidos pelas tão “bem intencionadas” editoras; mas daí, a querer acabar, de uma vez por todas, com o modelo impresso em papel; encapado, com folhas unidas umas as outras por um dos lados, é demais. Quem quiser que vá enriquecer os hofitomologistas de plantão desgastando suas pupilas lendo as seiscentas e noventa e duas paginas de Os Demônios do Dostoievski no celular ou no Ipad. Eu não troco o manuseio das páginas por nada, sem falar daquele cheirinho... Tão característico; fechar o livro e guardá-lo na estante então... É um prazer indescritível.

Desde que Gutenberg revolucionou a imprensa com seu método dinamizador, ao final da Segunda Guerra Mundial, quando surgiu às grandes editoras do mundo, que não vimos, na história da humanidade, um retrocesso cultural tão catastrófico como esse. Preferível seria retornarmos a pré-história, e voltarmos a difundir nosso conhecimento em fibras vegetais ou tabuinhas de barro cozido, a ver todo o acervo de suntuosas bibliotecas reduzido a um mísero aparelho eletrônico.

É preciso que as discussões acerca deste assunto saia do âmbito do mercado e estabeleça outro foco: o da democratização. Afinal, toda essa “inovação” está a serviço de quem? Por que não baratear o preço dos livros? Por que não pagar aos professores salários dignos, fazendo com que os mesmos possam desfrutar de tempo e condições para se capacitarem e consequentemente exercer melhor seu ofício: lendo mais e incentivando os pequenos a lerem também. Como disse Schopenhauer: quando uma cabeça e um livro se chocam, e um deles produz um som oco, é sempre o livro?

O que precisamos, são de ideias, teorias e descobertas que nos faça avançar rumo ao desconhecido - no sentido de nós mesmos - e não de aparelhinhos estimuladores de preguiça. A esses inventores, aconselho Francis Bacon: “a imaginação pode ser o maior inimigo do intelecto, quando deveria ser apenas a sua tentativa e o seu experimento”. Numa clara e sábia referência ao poder imagético do livro, que ao mesmo tempo em que é palpavel é também metafisico; alucinorgico e mistíco, disse Caetano: “os livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los do amor táctil”.

O fiel e tradicional formato do livro está impregnado de simbolismos, de uma historicidade intransponivel; por que nas cabeças de algumas pessoas, a “evolução” deve sempre está aliada a extinção, ao execramento do que já existe? Fico pensado, será que esses editores pensam que a audição do Grande Sertão: veredas, pode substituir a sua leitura? E o estudo da poesia? Sua estrutura, rimas e ritmo, como fica? Ildásio Tavares, Drummond, Ruy, Mario, Cabral... por favor, não permitam que suas obras sejam submetidas a esse vexame!

* Lucas Ribeiro, estudante de Psicologia do 8º semestre - Coordenador Geral do GAPS – Grupo de Ação Psicopssocial da Criança e do Adolescente.
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Vilém Flusser () - 13/02/2012
Prezado Sr. Ribeiro, muito elucidativo seu artigo. Noto que, mesmo o senhor sendo ultimanista de psicologia (infelizmente não há indicação de qual faculdade o senhor cursa), pelo visto não há disciplina de português no currículo. Senão vejamos: notei, em uma primeira passada de olhos, nada menos que 16 erros de português. Acho um tanto demais para quem defende tão claramente a leitura. Se o senhor fizesse uso da leitura, ao menos de seu artigo, descobriria que as palavras globabarização e alucinorgico, por exemplo, não existem e que, quando escreve hofitomologistas, talvez queira dizer oftalmologistas. Fora os inúmeros erros de concordância, pontuação e acentuação. Uma pena que um universitário, quase um profissional diplomado, escreva tão mal. Conceitualmente, apesar de citar Francis Bacon (não consegui encontrar onde está esta citação), preferiu abster-se de outra frase famosa do mesmo autor: conhecimento é poder. Mas sua sugestão e voltarmos à pré-história das tábuas de barro, onde a ignorância imperava. Afinal, é melhor ler somente um único livro de barro durante toda uma vida que ter à disposição todos os livros do mundo digitalmente. É realmente uma tremenda evolução, não? No mais, ninguém, exceto o senhor, prega o fim do livro impresso. O livro digital é o real democratizador do conhecimento, pois permite que muito mais pessoas tenham acesso às ideias. Mas se o senhor prefere viver na época das trevas, vá sozinho!
ouvinte atento (Mogi das Cruzes) - 13/02/2012
Os próprios consumidores vão se encarregar de aceitar ou não a proposta de quem pensa somente em lucros, sempre foi assim e deverá permanecer desta forma. O que for bom vai permanecer, pode ter certeza. De tempo ao tempo e ai sim veremos quem esta com a razão.
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