TSE chama de “acusação leviana” o ataque de Bolsonaro à urna eletrônica

sexta, 09 de julho de 2021
TSE chama de “acusação leviana” o ataque de Bolsonaro à urna eletrônicaReprodução/Internet

As últimas pesquisas eleitorais, que apontam Lula na dianteira da corrida presidencial, e a CPI da pandemia no Senado, parecem que estão deixando o presidente Jair Bolsonaro ainda mais inquieto quanto ao seu destino político.

Sem saber o que fazer para ampliar sua popularidade, que decresce a cada dia com sua posição negacionista em relação ao coronavírus, o presidente partiu mais uma vez para o ataque à urna eletrônica, conforme divulgou todas as mídias, buscando desacreditá-la e até argumentando que pode ter habito fraudes em processos eleitorais anteriores, como em 2014 na reeleição de Dilma Rousseff, mas sem apresentar provas, já cobradas pela Justiça Eleitoral.

Por conta dessa postura, já repetida várias vezes, inclusive esta semana ameaçando a realização da próxima eleição, houve reação veemente na sociedade contrária à posição do mandatário, como as das lideranças políticas de diferentes partidos, bem como de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Crimes

Segundo o site Brasil 247, o ministro do STF Alexandre de Moraes destacou que atentados contra "a democracia e o Estado de Direito" caracterizam crimes "comum e de responsabilidade".

Na mesma linha, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, também respondeu nesta sexta-feira (9) aos ataques de Jair Bolsonaro através da Nota à Imprensa abaixo.

NOTA DO TSE À IMPRENSA

Tendo em vista as declarações do Presidente da República na data de hoje, 9 de julho de 2021, lamentáveis quanto à forma e ao conteúdo, o Tribunal Superior Eleitoral esclarece que:

1. Desde a implantação das urnas eletrônicas em 1996, jamais se documentou qualquer episódio de fraude. Nesse sistema, foram eleitos os Presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro. Como se constata singelamente, o sistema não só é íntegro como permitiu a alternância no poder.

2. Especificamente, em relação às Eleições de 2014, o PSDB, partido que disputou o segundo turno das eleições presidenciais, realizou auditoria no sistema de votação e reconheceu a legitimidade dos resultados.

3. A presidência do TSE é exercida por Ministros do Supremo Tribunal Federal. De 2014 para cá, o cargo foi ocupado pelos Ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. Todos participaram da organização de eleições. A acusação leviana de fraude no processo eleitoral é ofensiva a todos.

4. O Corregedor-Geral Eleitoral já oficiou ao Presidente da República para que apresente as supostas provas de fraude que teriam ocorrido nas eleições de 2018. Não houve resposta.

5. A realização de eleições, na data prevista na Constituição, é pressuposto do regime democrático. Qualquer atuação no sentido de impedir a sua ocorrência viola princípios constitucionais e configura crime de responsabilidade.

Foto: CNN Brasil

Compartilhe!


Nenhum post cadastrado em Noticias
Publicidade